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Alcance seu cliente pelo mapa afetivo

Creio que todos conhecem o mapa da cidade de São Paulo. Basta uma busca no Google para aparecerem os mais diversos e coloridos exemplares: divisões por bairros, distritos, subprefeituras, população, eleitorado, concentração de favelas, bacias hidrográficas, formação geológica. Porém, ao nos aventurarmos a desenhar nós mesmos o mapa da nossa cidade, podem surgir algumas discrepâncias, como uma Avenida Paulista maior que a Santo Amaro, um bairro do Bixiga mais importante que a Berrini. Isso se dá porque, para cada um de nós, mais forte que a São Paulo real é a São Paulo do nosso coração.

Viver em uma cidade como São Paulo é um balaio de emoções: ódio da fumaça dos veículos à diesel, amor pelas árvores da Albuquerque Lins; ódio dos motoristas mal-educados; amor por aqueles que dão a preferência ao pedestre; ódio do metrô e trem lotados, amor por chegar à Pinacoteca e ao Parque da Luz em apenas 20 minutos; ódio das ciclofaixas, amor pelas ciclofaixas. Assim surge, no papel e no coração, nossa relação pessoal com o espaço em que estamos inseridos.

Pois já imaginou a sua marca atrelada ao universo emocional de milhares de pessoas? Algumas empresas já, e faz tempo! Os bancos, ao menos, são experts na prática. É famosa a decoração de natal do Banco Real (atual Santander) em seu prédio na Avenida Paulista — assim como no casarão do Bank Boston, hoje pertencente ao Itaú. O Bradesco patrocina árvores de natal gigantescas pelo País há quase 20 anos. Não só essas intervenções ganham eventos de inauguração amplamente divulgados pela mídia como atraem a visitação de milhares de pessoas durante o período natalino. E as marcas entram na vida do cidadão no âmago de seu universo afetivo — e também na sua fala cotidiana: “vamos visitar a árvore do Bradesco?”; “você já viu a decoração de natal do Itaú? Está mais bonita que a do ano passado”.

Não é mero acaso que instituições financeiras também são apoiadoras de projetos ligados a ciclistas. Itaú e Bradesco patrocinam bicicletários pela cidade. O BikeSampa, do primeiro, foi implantado em meados de 2012 e já conta com 135 estações. O CicloSampa, do segundo, completa um ano em dezembro de 2014 e conta com quase 20 estações, além de patrocinar a Ciclofaixa de Lazer aos domingos. Trata-se de uma grande ideia, pois ela não impacta somente os usuários. Mesmo quem não pedala, circula pela cidade. E não há como não olhar com alguma simpatia um banco que “compartilha” — além disso estas marcas ganham exposição pelo simples fato de estarem lá, isso em tempos de Lei Cidade Limpa.

Também não é coincidência o engajamento de empresas em aparelhos culturais dos mais diversos. Grandes teatros da cidade tem os nomes de seus patrocinadores: Bradesco, Net, HSBC, Credicard, Citi. Isso sem contar cinemas e centros culturais, como o Espaço Unibanco (atual Itaú), Itaú Cultural, Centro Cultural Banco do Brasil e Caixa Cultural. Até marcas de produtos de limpeza já adentraram o circuito de cinema, o Cine Bombril, atual Cine Livraria Cultura.

Por trás de todos esses projetos, sem dúvida estão departamentos de marketing bem estruturados, preocupados com a imagem institucional de cada marca. E dentro de cada departamento, gerentes e diretores, assim como você, pensando minuciosamente em como investir seu budget. Porém há uma certeza: a ousadia de alguns profissionais transforma São Paulo em um lugar mais belo e amigável; em contrapartida, tem suas marcas atreladas a aparelhos da cidade com grande valor agregado, adentrando, assim, o mapa afetivo de quem ama esta cidade. Certamente uma relação de ganha-ganha.