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Mesmo os craques podem errar

Não se pode acusar a Apple de não gerenciar corretamente a sua marca. Não só ela hoje é a mais valiosa do mundo, à frente de outros gigantes como Google e Coca Cola, como seus consumidores são fãs fiéis, que “acampam” na frente das lojas para serem os primeiros adquirir seus lançamentos. Fidelidade semelhante à que tem os fãs pela banda U2, que além de também acampar na frente dos hotéis da banda para tentar vê-la mais de perto, acompanham desde os anos 80 uma das carreiras mais sólidas e bem sucedidas da história do Rock, além de muitos apoiarem também as causa humanitárias abraçadas pelo vocalista Bono Vox.

Então, como é que a parceria desses dois “craques”, Apple e U2, com a primeira presenteando 33 milhões de seus clientes com o conteúdo musical produzido pelo segundo, se tornou um fiasco de relações públicas?

Alguns erros podem ser apontados. O maior deles é óbvio. A “violação de privacidade”, ao não permitir que, quem desejasse, deletasse o álbum. O segundo não foi tão óbvio. O U2 é uma banda única na história da indústria musical. Mas além de não ser uma unanimidade (há pessoas com outras preferências musicais), para quem está na faixa etária entre 18 e 25 anos, parcela significante do público do iPhone 6, o U2 não tem o mesmo significado que tinha para os jovens das décadas de 80 e 90.”

A soma desses erros criou uma polêmica inesperada. Pode-se argumentar que polêmica traz publicidade. Mas nesse caso, com as muitas vozes atacando fazendo muito mais barulho que as poucas defendendo, foram prudentes os recuos de Apple e U2.

O que temos a aprender com esse caso, além de que até os craques podem errar, é que patrocinar conteúdo e entrega-lo ao seu público continua sendo uma excelente ação promocional e ferramenta de relacionamento entre empresas e pessoas. Mas é preciso avaliar corretamente quem é o público e quais são os seus valores. E se comunicar com ele de uma maneira que não deixe dúvidas sobre a mensagem que se quer passar.